domingo, 23 de janeiro de 2011

Tai(ôba!)


Taioba é verdura de quintal, macia, saborosa dessas que você tem vontade de ter um pedaço de terra só para plantar. Se você nunca provou, mas por sorte encontrar um exemplar dando sopa em uma prateleira de mercado  leve para casa e experimente. Aqui em Brasília nesta época do ano é possível encontrar no Mercado Orgânico do CEASA aos sábados pela manhã. Mas o fato é raro, ou melhor raríssimo, nunca tinha encontrado em nenhum outro lugar a venda. Por isso é verdura de quintal, ou você planta ou conta com a generosidade do vizinho. Na pior das hipóteses fica com água na boca mesmo. 
Esse ano minha mãe não quis correr o risco de deixar faltar e tinha pé de taioba para tudo que é lado, uma maravilha! Assim como a couve, muita gente costuma fazer a taioba rasgada em Minas. Mas lá em casa todo mundo gosta dela cortadinha e de preferência bem fininha...Hoje as coisas não são mais como antigamente, existe muita tecnologia para ajudar, mas ainda ganha ponto quem tem essa habilidade. Então, ponto para mim gente!
Para completar a tradição, se tiver taioba tem que ter angu. Não existe outro acompanhamento melhor. Arroz, feijão e bife acebolado completam o cardápio tradicional. Neste caso, substituí o bife por joelho de porco, um cardápio normalmente servido na semana para se comer rezando no almoço de domingo

Logo que publiquei esse post fiquei curiosa com a impopularidade dessa hortaliça tão saborosa e que literalmente "derrete na boca". Descobri que existe duas espécies, a taioba e a taioba brava e que essa é tóxica e usada para ornamentação. Muitas pessoas acabam nem sabendo que existe a espécie comestível, pobres mortais não sabem o que estão perdendo!
Além de muito gostosa  tomei conhecimento,   através de fonte científica (http://www.editora.ufla.br/site/_adm/upload/revista/23-1-1999_08.pdf), que a taioba é riquíssima em minerais como ferro, cálcio e zinco.
Fiquei tão empolgada que decidi fazer meu suco verde com a taioba crua no lugar da couve. Foi aí que se iniciou a polêmica. Li em alguns sites que taioba crua nem pensar, que irrita a mucosa e pode causar a sensação de garganta fechada. Eu que a essa hora já tinha tomado um copão pensei que ia ter um edema de glote! Um dos vilões da hitória que mais me preocupou foi o ácido oxálico, que além de tudo é nefrotóxico.
Como é difícil ter uma alimentação saudável. Quer dizer que compro verduras orgânicas fresquinhas, lavo tudo direitinho, passo um tempão preparando a quota quinzenal de suco verde (congelo em forminhas de gelo) e descubro que posso ter uma insufiência renal por causa disso!
Mas não me deixei abater totalmente até encontrar algo que me tranquilizou, a taioba tem bem menos desses fatores antinutricionais (http://www.editora.ufla.br/site/_adm/upload/revista/25-3-2001_15.pdf)  que o espinafre, aquele mesmo do popeye! Esse sim, estou com meus dois pés atrás com ele (http://www.jocelemsalgado.com.br/padrao.aspx). Ver nesse site reportagem "Espinafre prejudica a absorção de ferro".

É isso aí meus queridos a natureza pode ser selvagem, como  retratado no filme Into the Wild, inspirado em livro de mesmo nome do autor Jon Krakauer, que foi baseado em história verídica de um jovem aventureiro solitário que, após conseguir concretizar seu sonho de chegar ao Alaska, acaba morrendo depois de ingerir uma planta tóxica.
O destaque do filme vai para a sua a trilha sonora que foi o primeiro álbum solo de Eddie Vedder, vocalista da banda norte-americana Pearl Jam. Meu amor adora em especial a música Society. Essa é para você meu lindão!




domingo, 16 de janeiro de 2011

Abóbora com cream cheese


Apesar de toda a minha base culinária se firmar fortemente no refogado à moda mineira com bastante alho, há muito tempo tenho vontade de mergulhar na culinária integral e vegetariana e aprender uma nova forma de preparar os alimentos. Com certeza não tenho mais a pretensão de ser uma fiel adepta de uma única linha. Na realidade percebo que estou  bem mais voltada para a curiosa fase da experimentação eclética e promíscua do que para a definição de  uma identidade.
Descobri através de uma devota de Krishna o livro "Cozinha Vegetariana - Saúde e bom gosto em mais de 670 receitas" de Caroline Bergerot publicado pela editora Cultrix. Nesta linha alho e cebola assim como derivados animais como leite e ovos estão totalmente proibidos. Para compensar essa restrição são utilizados uma variedade enorme de temperos e ervas aromáticas que permitem um resultado surpreendente. Nada de comida insossa de hospital não, é isso mesmo mineiros incrédulos é possível fazer verdadeiras delícias sem nem um cheirinho de alho refogado.
Na prática eu tenho uma dificuldade enorme de seguir receitas a risca, a única que consegui fazer para enfim estrear a aquisição foi o vatapá de inhame. Minha Nossa! Quando estava preparando não reconheci o aroma delicioso da páprica e outros temperos refogando no azeite de dendê, que imediatamente tomou conta de toda a minha cozinha, jurava que vinha de outro lugar! 
Desde então ainda não fiz mais nenhuma receita, são muitos os ingredientes e sempre quando vou tentar percebo que ainda falta algum tempero. Mas o mais importante eu incorporei, o desafio de fazer um refogado cheiroso sem alho!
Inventei essa receita com a seguinte motivação: não usar nenhum tipo de animalzinho vivo, por isso apesar de lembrar o tradicional camarão na moranga não adicionei camarão! Queria rechear com um creme bem saboroso e cremoso e como tinha um pacote enorme de cream cheese na geladeira não pensei duas vezes. Temperei o cream cheese fazendo um refogado de páprica, cebola, pimentão e pimenta dedo de moça no azeite de dendê. O alho foi assado com casca separadamente da abóbora e acrescentado depois de pronto. O resultado desse caldeirão foi um saboroso prato para o Almoço de Domingo.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Oficina de Cupcake!


Entrei definitivamente na onda do cupcake, esta febre americana porém de origem inglesa que também invadiu o Brasil.
O meu interesse por bolinhos começou no ano passado quando uma amiga pediu a receita de um bolinho de queijo que minha mãe fazia e mandava para mim e minhas irmãs quando morávamos em Juiz de Fora para cursar o segundo grau. Já tenho mais de uma década de formada na faculdade e nem todo este tempo tinha feito minha amiga esquecer dos famosos bolinhos de queijo da minha mãe! Foi aí que me dei conta que depois que me mudei de Juiz de Fora nunca mais havia comido esses bolinhos também. Resolvi então resgatar essa receita e foi assim que iniciei uma saga para salvar não só essa como outras tradições culinárias da família. A minha amiga não parou de cobrar a receita e eu estava com medo de ficar parecendo aquelas desculpas de quem não quer passar de forma alguma os segredinhos de família. Mas a tal da receita não estava em lugar algum mesmo.  Minha irmã gêmea que a essa altura também já estava envolvida disse que na gravidez do seu primeiro filho teve "desejo" de comer esse bolinho e que a ajudante dela tinha tentado fazer várias vezes a receita que ela tinha anotado no seu caderno  e que não tinha dado certo. Concluímos que a receita tinha sido copiada errada e fomos buscando registros mais antigos, tentando encontrar a receita original. Foi aí que encontrei os antigos cadernos de receita da minha querida tia Ruth já falecida há muitos anos. Um dos cadernos é  da década de 40 uma verdadeira relíquia! Desde este achado venho fazendo várias versões da receita original dos bolinhos descrita no caderno como Bolinhos de Queijo da Dona Dulce. A Dona Dulce era uma antiga vizinha  da minha avó que faleceu no final do ano passado. Esses bolinhos de queijo são assados individualmente em forminhas de empada e depois passados no açucar refinado com canela. Comecei também a inventar algumas coberturas novas e assim nasceu uma nova paixão: confeitar bolinhos!  
Como no final de ano reunímos todos os 6 sobrinhos, não tive dúvida pesquisei bastante na internet sobre as novidades para cupcakes, comprei forminhas, confeitos, acessórios, escolhi algumas receitas tradicionais entre elas a do famoso cupcake de baunilha da Magnolia Bakery http://www.magnoliabakery.com/home.php)  e fizemos uma oficina deliciosa: o resultado como vocês podem conferir foi um verdadeiro sucesso.  "Coisa de gordinho", né Dudu!